CAIPIRA, A VERDADEIRA MÚSICA DE RAIZ
VII - O RÁDIO NA DIVULGAÇÃO DA MÚSICA RURAL
Em 1924, de acordo com alguns depoimentos,
surge em São Paulo a SQ-B1, Rádio Cruzeiro do Sul. Pouco depois desaparece para
ressurgir em 1927, com novo prefixo: SQ-BA. Novo fracasso. Somente em 1929, através do
grupo Byington (leia-se: Columbia), sob direção de Wallace Downey, a Cruzeiro do Sul se
firma, alicerçada em esquema inédito até então: o patrocínio da Atlantic Motor Oil,
que custeou as curtas demonstrações do período de experiência da emissora. Assim,
após breve período de testes, ainda no primeiro semestre de 1929, a Cruzeiro do Sul,
agora PR-AO (e pouco depois PR-B6), vai ao ar com sua programação definitiva. E assim,
com sua homônima do Rio de Janeiro, é criada a primeira rede radiofônica do Brasil: a
rede Verde-Amarela.
No dia de sua inauguração, além de diversos espetáculos, entre eles apresentações
humorísticas com personagens caipiras, foi interpretada a música "Coração",
de Marcelo Tupinambá com letra de Ariovaldo Pires.
Nesta época, São Paulo contava, então, com três emissoras de rádio: a Cruzeiro do
Sul, a Record e a Educadora (mais tarde, Gazeta). Elas, juntamente com os teatros e
circos, transformariam centenas de intérpretes musicais, que se apresentavam em bares, os
chamados "cafés-chantants", em artistas do microfone; mudança que se perpetuou
e evoluiu até os nossos dias. Assim, na esteira dessa tendência, seguiram os
compositores, músicos e instrumentistas, que através deste tipo de divulgação,
associado à evolução das gravações em disco, se tornariam populares: nasciam os
ídolos!
Contudo, na florescente capital de São Paulo, a arte popular caipira se mantinha
encoberta pelo manto "sertanejo" ou "regional". E esta estilizada
forma de apresentar a música rural, por vezes atribuía ao interprete o direito da
composição, tomando o lugar do verdadeiro autor. Afinal, a imagem divulgada do caipira
era de um ser indolente, ignorante, especialista em fazer os outros rirem, jamais capaz de
elaborar peças musicais esmeradas. Contra esta imagem pejorativa, vários cidadãos se
insurgiram, abrindo espaço nas gravadoras e nas rádios para intérpretes de música
caipira. Assim, emergiram Zico Dias e Ferrinho, Lourenço e Olegário, Lázaro e Machado,
Plínio Ferraz e João Michalany, Arlindo Santana e Joaquim, além dos indefectíveis
imitadores urbanos do "regionalismo". Foi nessa época que surgiram, também, os
primeiros programas humorísticos repletos de quadros típicos, como "Cascatinha do
Genaro", na rádio Cruzeiro do Sul e mais tarde transferido para a Rádio São Paulo
(1935), uma espécie precursora do "Balança Mas Não Cai". Esses programas,
repletos de caricaturas e modismos, eram um verdadeiro redemoinho de estilos e
tendências.
Desde então, surgiram diversos intérpretes, todos incumbidos de consagrar este estilo de
música que, como já dissemos, teve sua origem em séculos de evolução cultural havida
no campo, no meio rural e que, por força da tecnologia existente nos grandes centros
urbanos, pôde ter expandido seus limites. Assim, abria-se oportunidade para muitos
artistas e, também, para muitos aproveitadores (mas isto é um outro assunto). O
importante é que com o disco e o rádio, descortinou-se um infinito leque de
oportunidades para a divulgação da música rural que, graças à perseverança de alguns
"heróis", pôde ganhar espaço dentro das várias manifestações culturais que
compõem a multivariedade cultural brasileira. |
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APRESENTAÇÃO
I - INTRODUÇÃO
II - A ORIGEM DA MÚSICA
III - A ORIGEM DA MÚSICA RURAL BRASILEIRA
IV - OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
V - O INÍCIO DA DIVULGAÇÃO
VI - A MÚSICA E SEU REGISTRO EM DISCO
VII - O RÁDIO NA DIVULGAÇÃO DA MÚSICA RURAL
VIII - ALGUNS DOS VERDADEIROS DESBRAVADORES
IX - RESUMO DO RESUMO
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