CAIPIRA, A VERDADEIRA MÚSICA DE RAIZ
I - INTRODUÇÃO
Iniciaremos com algumas considerações de caráter geral, que
permitirão o entendimento do movimento musical do interior, como um todo.
O movimento rural é uma forma de manifestação cultural baseada em usos e costumes
populares e regionais, retratando a vida e o pensamento da população do campo e/ou do
interior do país. Tal manifestação cultural não sofreu, em suas bases, influências
outras que não a dos habitantes da terra descoberta e de seu colonizador/povoador. Assim,
a música da terra, como toda manifestação artística, surgiu de uma necessidade da
sociedade rural de expressar através de canções, suas venturas e desventuras, alegrias
e tristezas, prazeres e dores. Lógico que os temas estão vinculados à sua realidade de
vida, seus modos e costumes, bem como a seus princípios éticos, religiosos e morais.
Dentro desta ótica, podemos afirmar que suas raízes são genuinamente nacionais e sua
proximidade ao country americano se dá, exatamente, por estas razões, pois lá como
aqui, o movimento está intimamente ligado a terra e a regionalismos, resultantes da
caminhada em direção ao interior, em busca de melhores condições de vida, e porque
não dizer, de riqueza. De qualquer forma, quem se aventurou, em passado longínquo, pelas
terras virgens do Brasil e por aqui se estabeleceu, acabou sendo responsável pela
formação de uma cultura própria, típica e regional.
Quem soube, muito bem, retratar este modo de vida, associado à natureza, foi o poeta
Castro Alves. Daí, vale mais à pena transcrever o poema do que continuar tentando
explicar.
Castro Alves
Crepúsculo Sertanejo
A tarde morria! Nas águas barrentas
As sombras das margens deitavam-se longas;
Na esguia atalaia das árvores secas
Ouvia-se um triste chorar de arapongas.
A tarde morria! Dos ramos, das lascas,
Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,
As trevas rasteiras com o ventre por terra
Saíam, quais negros, cruéis leopardos.
A tarde morria! Mais funda nas águas
Lavava-se a galha do escuro ingazeiro...
Ao fresco arrepio dos ventos cortantes
Em músico estalo rangia o coqueiro.
Sussurro profundo! Marulho gigante!
Tal vez um silêncio!... Tal vez uma orquestra...
Da folha, do cálix, das asas, do inseto ...
Do átomo à estrêla... do verme - à floresta!...
As garças metiam o bico vermelho
Por baixo das asas - da brisa ao açoite;
E a terra na vaga de azul do infinito
Cobria a cabeça co'as penas da noite!
Somente por vezes, dos jungles das bordas
Dos golfos enormes daquela paragem,
Erguia a cabeça surpreso, inquieto,
Coberto de limos - um touro selvagem.
Então as marrecas, em torno boiando,
O vôo encurvavam medrosas, à toa...
E o tímido bando pedindo outras praias
Passava gritando por sobre a canoa!... |
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APRESENTAÇÃO
I - INTRODUÇÃO
II - A ORIGEM DA MÚSICA
III - A ORIGEM DA MÚSICA RURAL BRASILEIRA
IV - OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
V - O INÍCIO DA DIVULGAÇÃO
VI - A MÚSICA E SEU REGISTRO EM DISCO
VII - O RÁDIO NA DIVULGAÇÃO DA MÚSICA
RURAL
VIII - ALGUNS DOS VERDADEIROS DESBRAVADORES
IX - RESUMO DO RESUMO
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